quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Victoria, BC

Apesar de Vancouver ser a maior, mais rica e mais importante cidade da Colúmbia Britânica, a capital é Victoria, que tem uma população que não passa de 80 mil habitantes. Victoria é, também, uma das cidades mais antigas do Canadá e ainda preserva, na sua arquitetura, o legado dos colonizadores ingleses. É conhecida também como Cidade dos Jardins, que são vistos não apenas nos prédios do governo e hotéis, mas nos pátios de grande parte das casas.
Victoria está localizada na imensa Ilha de Vancouver (não confundir com a  cidade de Vancouver), na ponta sul. Fica a apenas 100km de Vancouver, mas quando fui estava morando em North Vancouver demorei exatamente 6 horas para desembarcar na capital de BC. Foi preciso pegar um ônibis até a estação do Seabus, depois o Seabus até Vancouver, mais um trem até o terminal de ônibus, mais um ônibus até o terminal do ferry, depois o ferry até a Ilha, e finalmente um ônibus até Victoria.

Me hospedei em um hostel bem fuleiro e fiquei um fim de semana, tempo mais do que suficiente para conhecer a cidade a pé. A vida lá parece acontecer apenas na sua área central, onde, no verão, é tomada por turistas, boa parte americanos, já que fica bem pertinho dos EUA.


Enfim, como me disse um canadense, a pacata Victoria só é boa para aposentados.


Pizza vegana que comi no The Joint


A viagem de ferry é ótima

E eu achando que a cidade das carroças fosse Porto Alegre

Prédio do Parlamento





Hotel The Empress

O hostel onde me hospedei

Quarto do hostel, que dividi com mais 5 pessoas

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Vancouver Public Library III

Depois de 9 meses aqui em Vancouver, ainda não me cansei de visitar a VPL, a Biblioteca Pública de Vancouver. Na verdade há várias bibliotecas públicas, todas interligadas (posso devolver os livros em qualquer unidade). Não apenas o acervo é espetacular, com livros, DVDs, CDs e mais, mas, digamos que a fauna também é variada, com gentes de tudo o que é tipo. Então às vezes deixo os livros de lado e me concentro nas pessoas. Outro dia estava no computador e escutei o seguinte diálogo, que fui anotando na hora, pra não perder nenhum detalhe. havia dois caras sentados na mesa ao meu lado, e um deles, do nada, perguntou para o outro:

- Se você fosse gay - e essa é uma pergunta hipotética - se você fosse gay, iria preferir sair com brancos ou com negros?
- Cara, eu não sou gay, então não posso responder.
- Tá, mas se você fosse gay.
- Que pergunta idiota!
- Nenhuma pergunta é idiota.
(silêncio)
- E quanto a você. O que você preferiria se fosse gay?
- ...Eu não sei...



- If you were gay - and that is a hypothetical question - If you were gay, would you prefer to go out with white or black men?
- Man, I'm not gay, so I can't answer.
- Yeah, but if you were gay...
- That's a stupid question!
- No question is stupid.
(silence)
- So, what about you? What would you prefer if you were gay?
- ... I don't know...

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Vancouver Riot 2011- vídeos

Aqui vão alguns dos vídeos que fiz durante a Vancouver Riot. Para quem não sabe o que foi, uma explicação rápida: depois de o time de Vancouver perder a final do campeonato de hóquei, em junho de 2011, os torcedores promoveram a destruição da cidade, queimando carros e saqueando lojas.

Esse dia entrou para a história da cidade.




terça-feira, 22 de novembro de 2011

Vancouver Public Library - II

VPL é palco de festas de casamento em finais de semana
Logo que cheguei em Vancouver passei a frequentar assiduamente a Biblioteca Pública. Como não tinha computador, usava os da VPL para acessar a internet. Passando horas por semana no local, comecei a observar as gentes. Muitos ali, como eu, também faziam do lugar um refúgio, e logo percebi que alguns rostos se repetiam.

Como o mendigo extremamente fedorento que sentava imóvel em uma das poltronas do segundo andar por horas, só pra escapar do frio e da chuva lá de fora. Ou o negro grande e barbudo e sorridente, que, levando as mãos acima da cabeça, batia palmas silenciosas ritmadas assistindo a vídeos musicais. As chinesas estudando inglês desesperadamente. Tem um outro cara, meio mendigo também, que coloca a mochila e o casaco na mesa do computador e sai pra telefonar. E fica sempre gritando no telefone, como se estivesse tratando de um assunto da maior urgência. Tenho minhas dúvidas se tem alguém do outro lado da linha.

Outro dia, esse cara, de uns desgastados quarenta e poucos anos, estava lá no seu telefonema quando um rapaz, do tipo faço academia e tenho orgulho do meu corpo tanto que uso uma camiseta que mostra o resultado da minha dedicação, viu que o único assento vago era o tal em que o outro deixava sua mochila e jaqueta. Ele lentamente começou a remover os objetos. Pra que? O tio do telefone veio correndo (a situação agora era mais urgente que a ligação) gritando.
- Não toca nas minhas coisas! O que tu está fazendo?!
- Não, é que....
- Está roubando a minha mochila?! Hey, ele está roubando a minha mochila!
Foi aí que o fortão, até então aparentemente tranquilo, resolveu reagir, afinal de contas de que adianta gastar tantas horas na musculação se não for pra tirar vantagem disso um dia?
Bem mais alto e jovem que o telefonador, o rapaz foi pra cima do outro, e quase encostando peitos e narizes, trocaram algumas frases amáveis, como: I'm gonna rip your fucking head off, mutherfucker!
(Vou arrancar tua cabeça fora, filho da puta!). Como se isso não fosse ameaça suficiente, também resolveu revelar informações sobre seus antecedentes criminais, dando o nome da penitenciária em que cumprira pena recentemente, ao que o outro respondeu que conhecia.
Nisso, apareceu um segurança da Biblioteca, ainda menor que os outros dois, tentando acalmar os ânimos da rapaziada. Como duas crianças, os dois beligerantes passaram a trocar acusações se dirigindo ao segurança, que, posso jurar, estava se controlando para não rir. Do mais forte, surgiu então a proposta de continuar a discussão fora do recinto:
- Let's go outside!
O outro:
- Ok, vamos. Só deixa eu terminar minha chamada.
E o segurança, pro jovem: 
- Acha mesmo que vale a pena? Seriously?
E pediu para o mais velho se retirar, o que fez prontamente, mas sem parar de resmungar. Vagou então uma cadeira do meu lado, em que o forte sentou, bufando. A biblioteca nunca ficou tão silenciosa.
Depois de uns dois ou três minutos (em que as estudantes chinesas aproveitaram para juntar suas coisas e fugir), ele deu um soco na mesa, se levantou e saiu correndo para fora da Vancouver Public Library. 
Nunca soube o que aconteceu lá fora...
Na escadaria da VPL, campanha sobre a violência de gangues

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Vancouver Public Library

Eu sou suspeito pra falar da Biblioteca Pública de Vancouver. Como bom tímido, me criei  em bibliotecas de colégio. Eram o único lugar em que eu conseguia me resguardar, mesmo que momentaneamente, da mediocridade absoluta que é o ensino no Brasil. Eu costumava pensar que se o mundo entrasse em guerra, eu poderia me refugiar numa biblioteca e seria feliz para sempre, guardião de todo o conhecimento do mundo. Acho até que desejava que essa guerra viesse logo. Enfim , cresci e abandonei (?) de vez esses delírios, mas continuou a busca por bibliotecas, sebos, livrarias, feiras do livro.

Daí que, chegando em Vancouver, a primeira coisa que fiz foi desfazer as mals, a segunda foi visitar a biblioteca pública. E que biblioteca, seis andares com tudo oque você imaginar, num prédio que imita o Coliseu. Lá qualquer pobre, como eu, pode fazer seu cartão da biblioteca de graça (desde que comprove residência e, no caso de estrangeiros, permanência mínimo de seis meses no país). E foi o que fiz na minha primeira semana. Desde então já perdi a conta de quantos livros de ficção, de ensino de língua, DVDs, audiobooks e outros itens já retirei.
E ainda se tem a comodidade de fazer reservas no conforto do seu lar. Os livros e filmes mais concorridos nem chegam a ir para as prateleiras, então tem que entrar na fila. Quando o item estiver disponível, mandam um email avisando que está lá e que você tem 5 dias pra buscar.

E outra coisa, todas as bibliotecas públicas da cidade (cerca de uma dúzia) são interligadas, então posso escolher onde pegar os itens reservados e posso entregá-los onde eu bem quiser.

Num próximo post falarei dos frequentadores da Vancouver Public Library.
Ah, fiz este vídeo na calçada em frente.



http://www.youtube.com/watch?v=D_p2Cm98T2I

Occupy Vancouver 2011

Sim, Occupy Wall Street, o controverso movimento que começou em Nova York e se espalhou por várias cidades americanas atravessou a fronteira e chegou no maior país das Américas. Depois de uma marcha que reuniu milhares de manifestantes há algumas semanas, o povo armou as barracas e ocupou o terreno em frente à Vancouver Art Gallery. E ninguém sabe quando pretendem sair (se é que pretendem). A polêmica já começou, pois, embora a prefeitura já tenha enchido o saco da situação, aqui a polícia não tem fama de violenta, vide a Vancouver Riot 2011.
Algumas fotos que fiz do evento.









terça-feira, 18 de outubro de 2011

Raça Humana

Existe um tipo de sociólogo que há alguns anos adotou o discurso de que não existem raças. Eles não perdem uma única oportunidade de soltar sua pérola: "Já foi cientificamente comprovado que não existem raças!" Sempre assim, com ponto de exclamação. Basta alguém comentar sobre a cor do cabelo ou dos olhos de alguém e eles se atiram sobre a mesa do bar (seu habitat): "Já foi cientificamente comprovado que blablabla..."

Mas o que eu ia dizer é que não consigo deixar de pensar nesses fabulosos cientistas sociais toda vez que caminho pelas ruas de Vancouver. Chineses, sauditas, coreanos, indianos, mexicanos, japoneses, brasileiros, vietnamitas, iranianos, líbios, alemães, russos, gregos e pessoas de muitos outros países. Não posso esquecer dos canadenses, claro. Dizer que são todos da mesma raça é como colocar um São Bernardo e um Chiuaua lado a lado e jurar que não consegue diferenciar um do outro. E, ao contrário do que esse pessoal pensa, não há nada errado em admitir essas diferenças. Agora, estabelecer qualquer parâmetro de valor ou hierarquia segundo o critério racial é um absurdo gigantescamente ridículo que deve ficar enterrado lá no longínquo século 20.


Sério, caminhar por Downtown Vancouver é a maneira mais rápida de dar a volta ao mundo. Não apenas pelas pessoas que você vai ver, mas também pelos restaurantes. Numa praça de alimentação de shopping center é possível encontrar comida chinesa, árabe, mexicana, vietnamita e indiana.

Alguns desses povos andam mais segregados, como os chineses. Engraçado que estão dominando o mundo ao mesmo tempo em que têm tradição de se fechar em guetos. A Chinatown de Vancouver é a terceira maior da América e lá você encontra de tudo, principalmente coisas nojentas que eles chamam de comida. Se vir gente andando em carrões turbinados com o som no volume máximo fazendo tremer as vitrines e assustar os passarinhos, a probabilidade de ser árabe é de 97,3%. Eles são fáceis de ser reconhecidos de longe: se vestem como jogadores de futebol brasileiros novos-ricos. 

Mas aqui a mistura racial, pelo menos no quesito interação social, se vê bem mais forte que na Califórnia, por exemplo. Lá os grupos andam separados. Mexicanos. Negros. Brancos. Aqui, numa mesa de bar, o que você vai ver muitas vezes parece aquelas propagandas de banco em que tentam colocar uma pessoa de cada raça: um loiro, um oriental, um miscigenado e um negro bonito.

Ah, sim, falei nessa mistura toda, mas não dei a ideia geral do que é a cidade. Mais da metade das pessoas é de origem asiática. Como a imigração é forte por aqui há anos, também se vê alguma resistência, como uma pichação que vi num muro outro dia: "Too many foreigners!".

Ah, as fotos ilustrativas do post são de canadenses originais, que moravam aqui antes dos imigrantes europeus.


segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Pride Parade

Vancouver e' local para uma das maiores paradas gays do mundo, com estimativa de publico de 600 mil pessoas. Mesmo assim, ela nao e' conhecida como Parada Gay, mas como Pride Parade. E ai' fiquei me perguntando: por que tiraram a palavra "gay"? Numa cidade em que o politicamente correto ja se espalhou por todos os cantos vao censurar uma palavra em defesa da familia, da moral e dos bons costumes? Nananina.

Logo percebi que a questao era justamente a nao exclusao dos heteros. Sim, pois todos estao convidados a participar da festa, nao importa quem de pra quem.  No dia havia muita gente usando a camiseta "Gay for a day". Mas o mais espantoso - se compararmos ao Brasil - e' o numero de empresas que fazem questao de apoiar a parada. Supermercados, hoteis e bancos tradicionais colocaram as bandeiras do arco-iris ou propagandas com referencias ao dia. Mesmo ao longo do ano alguns supermercados (isso sem falar em bares e lojas) colocam uma enorme bandeira na vitrine. Se isso acontecesse numa grande rede em porto Alegre, fico so' imaginando a reacao furiosa do povo, as cartas indignadas nos jornais, os jornais botando lenha na fogueira e alimentando a repercussao. E' realmente uma festa para todos. Aqui, pega mal e' para a empresa que ficar de fora.

Outra coisa sao os grupos representados durante o desfile: ha professores, medicos, enfermeiros, judeus, motoristas de onibus,  terceira idade, escoceses, e no fim ja nao se sabe quem e' gay e quem nao e', pois isso nao e' motivo pra fazer diferenca.

Lembro de uma vez, no Brasil, ter comentado com colegas da faculdade que tinha assistido ao desfile em Porto Alegre. A reacao geral foi de surpresa: "Tu foi?!" Ninguem mais tinha ido, so assistido na TV com o conto do olho. Aqui, acontece o contrario, se alguem disser que nao foi a reacao e': "Como assim, nao foi?!"

Abaixo, fotos que fiz la', num ensolarado 31 de julho de 2011.








Fachada da maior rede de supermercados


Propaganda de banco em parada de onibus

Propaganda de banco



sábado, 20 de agosto de 2011

Celebration of Light

No final de julho e inicio de agosto houve aqui em Vancouver um espetaculo chamado Celebration of Light. E' uma competicao internacional de fogos de artificio. Em 2011 participaram China, Espanha e Canada, sendo que o primeiro saiu vitorioso. Milhares de pessoas enchem a beira da praia para assistir, e as ruas sao fechadas para o transito de veiculos.










domingo, 14 de agosto de 2011

Dia da Maconha

Vi que no Brazil a chamada "Marcha da maconha" foi reprimida em várias cidades. O que logo me lembrou o 4/20 aqui em Vancouver. 4/20 eé 20 de abril.




Nesse dia o povo se reúne para celebrar a marijuana com toda a liberdade do mundo. Sim, o pessoal se reúne em uma praça, em frente à Vancouver Art Gallery (espaço típico para eventos políticos) e fuma o dia inteiro. E tambem vende a erva em diversos formatos, como em cookies e brownies. A Polícia? Fica no entorno da praca, só olhando tudo, e cuidando da segurança dos maconheiros.


E isso é engracado em Vancouver. É possivel fumar maconha na rua sem ser molestado por qualquer representante da lei, mas é totalmente proibido beber uma cerveja na calcada. Alias, pode-se dizer que o cheiro de maconha é o aroma oficial da cidade. Nao ha sequer um so dia em que eu nao sinta esse cheiro, seja na praia, numa praca, da sacada dos vizinhos, em qualquer lugar mesmo. Eu nao fumo maconha, mas acho que, para quem fuma, essa cidade e' um paraiso em termos de liberdade (no que diz respeito a preco, porem, me disseram que e' meio cara). Entao, se gosta da coisa, aproveite. Mas nao ouse beber uma lata de cerveja no camping se houver alguem menor de 19 anos presente nas proximidades: voce sera expulso sem apelacao.

Dois videos do dia da maconha em Vancouver:
Um

Dois