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segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Vancouver Public Library III

Depois de 9 meses aqui em Vancouver, ainda não me cansei de visitar a VPL, a Biblioteca Pública de Vancouver. Na verdade há várias bibliotecas públicas, todas interligadas (posso devolver os livros em qualquer unidade). Não apenas o acervo é espetacular, com livros, DVDs, CDs e mais, mas, digamos que a fauna também é variada, com gentes de tudo o que é tipo. Então às vezes deixo os livros de lado e me concentro nas pessoas. Outro dia estava no computador e escutei o seguinte diálogo, que fui anotando na hora, pra não perder nenhum detalhe. havia dois caras sentados na mesa ao meu lado, e um deles, do nada, perguntou para o outro:

- Se você fosse gay - e essa é uma pergunta hipotética - se você fosse gay, iria preferir sair com brancos ou com negros?
- Cara, eu não sou gay, então não posso responder.
- Tá, mas se você fosse gay.
- Que pergunta idiota!
- Nenhuma pergunta é idiota.
(silêncio)
- E quanto a você. O que você preferiria se fosse gay?
- ...Eu não sei...



- If you were gay - and that is a hypothetical question - If you were gay, would you prefer to go out with white or black men?
- Man, I'm not gay, so I can't answer.
- Yeah, but if you were gay...
- That's a stupid question!
- No question is stupid.
(silence)
- So, what about you? What would you prefer if you were gay?
- ... I don't know...

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Vancouver Riot 2011- vídeos

Aqui vão alguns dos vídeos que fiz durante a Vancouver Riot. Para quem não sabe o que foi, uma explicação rápida: depois de o time de Vancouver perder a final do campeonato de hóquei, em junho de 2011, os torcedores promoveram a destruição da cidade, queimando carros e saqueando lojas.

Esse dia entrou para a história da cidade.




terça-feira, 22 de novembro de 2011

Vancouver Public Library - II

VPL é palco de festas de casamento em finais de semana
Logo que cheguei em Vancouver passei a frequentar assiduamente a Biblioteca Pública. Como não tinha computador, usava os da VPL para acessar a internet. Passando horas por semana no local, comecei a observar as gentes. Muitos ali, como eu, também faziam do lugar um refúgio, e logo percebi que alguns rostos se repetiam.

Como o mendigo extremamente fedorento que sentava imóvel em uma das poltronas do segundo andar por horas, só pra escapar do frio e da chuva lá de fora. Ou o negro grande e barbudo e sorridente, que, levando as mãos acima da cabeça, batia palmas silenciosas ritmadas assistindo a vídeos musicais. As chinesas estudando inglês desesperadamente. Tem um outro cara, meio mendigo também, que coloca a mochila e o casaco na mesa do computador e sai pra telefonar. E fica sempre gritando no telefone, como se estivesse tratando de um assunto da maior urgência. Tenho minhas dúvidas se tem alguém do outro lado da linha.

Outro dia, esse cara, de uns desgastados quarenta e poucos anos, estava lá no seu telefonema quando um rapaz, do tipo faço academia e tenho orgulho do meu corpo tanto que uso uma camiseta que mostra o resultado da minha dedicação, viu que o único assento vago era o tal em que o outro deixava sua mochila e jaqueta. Ele lentamente começou a remover os objetos. Pra que? O tio do telefone veio correndo (a situação agora era mais urgente que a ligação) gritando.
- Não toca nas minhas coisas! O que tu está fazendo?!
- Não, é que....
- Está roubando a minha mochila?! Hey, ele está roubando a minha mochila!
Foi aí que o fortão, até então aparentemente tranquilo, resolveu reagir, afinal de contas de que adianta gastar tantas horas na musculação se não for pra tirar vantagem disso um dia?
Bem mais alto e jovem que o telefonador, o rapaz foi pra cima do outro, e quase encostando peitos e narizes, trocaram algumas frases amáveis, como: I'm gonna rip your fucking head off, mutherfucker!
(Vou arrancar tua cabeça fora, filho da puta!). Como se isso não fosse ameaça suficiente, também resolveu revelar informações sobre seus antecedentes criminais, dando o nome da penitenciária em que cumprira pena recentemente, ao que o outro respondeu que conhecia.
Nisso, apareceu um segurança da Biblioteca, ainda menor que os outros dois, tentando acalmar os ânimos da rapaziada. Como duas crianças, os dois beligerantes passaram a trocar acusações se dirigindo ao segurança, que, posso jurar, estava se controlando para não rir. Do mais forte, surgiu então a proposta de continuar a discussão fora do recinto:
- Let's go outside!
O outro:
- Ok, vamos. Só deixa eu terminar minha chamada.
E o segurança, pro jovem: 
- Acha mesmo que vale a pena? Seriously?
E pediu para o mais velho se retirar, o que fez prontamente, mas sem parar de resmungar. Vagou então uma cadeira do meu lado, em que o forte sentou, bufando. A biblioteca nunca ficou tão silenciosa.
Depois de uns dois ou três minutos (em que as estudantes chinesas aproveitaram para juntar suas coisas e fugir), ele deu um soco na mesa, se levantou e saiu correndo para fora da Vancouver Public Library. 
Nunca soube o que aconteceu lá fora...
Na escadaria da VPL, campanha sobre a violência de gangues

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Occupy Vancouver 2011

Sim, Occupy Wall Street, o controverso movimento que começou em Nova York e se espalhou por várias cidades americanas atravessou a fronteira e chegou no maior país das Américas. Depois de uma marcha que reuniu milhares de manifestantes há algumas semanas, o povo armou as barracas e ocupou o terreno em frente à Vancouver Art Gallery. E ninguém sabe quando pretendem sair (se é que pretendem). A polêmica já começou, pois, embora a prefeitura já tenha enchido o saco da situação, aqui a polícia não tem fama de violenta, vide a Vancouver Riot 2011.
Algumas fotos que fiz do evento.









terça-feira, 18 de outubro de 2011

Raça Humana

Existe um tipo de sociólogo que há alguns anos adotou o discurso de que não existem raças. Eles não perdem uma única oportunidade de soltar sua pérola: "Já foi cientificamente comprovado que não existem raças!" Sempre assim, com ponto de exclamação. Basta alguém comentar sobre a cor do cabelo ou dos olhos de alguém e eles se atiram sobre a mesa do bar (seu habitat): "Já foi cientificamente comprovado que blablabla..."

Mas o que eu ia dizer é que não consigo deixar de pensar nesses fabulosos cientistas sociais toda vez que caminho pelas ruas de Vancouver. Chineses, sauditas, coreanos, indianos, mexicanos, japoneses, brasileiros, vietnamitas, iranianos, líbios, alemães, russos, gregos e pessoas de muitos outros países. Não posso esquecer dos canadenses, claro. Dizer que são todos da mesma raça é como colocar um São Bernardo e um Chiuaua lado a lado e jurar que não consegue diferenciar um do outro. E, ao contrário do que esse pessoal pensa, não há nada errado em admitir essas diferenças. Agora, estabelecer qualquer parâmetro de valor ou hierarquia segundo o critério racial é um absurdo gigantescamente ridículo que deve ficar enterrado lá no longínquo século 20.


Sério, caminhar por Downtown Vancouver é a maneira mais rápida de dar a volta ao mundo. Não apenas pelas pessoas que você vai ver, mas também pelos restaurantes. Numa praça de alimentação de shopping center é possível encontrar comida chinesa, árabe, mexicana, vietnamita e indiana.

Alguns desses povos andam mais segregados, como os chineses. Engraçado que estão dominando o mundo ao mesmo tempo em que têm tradição de se fechar em guetos. A Chinatown de Vancouver é a terceira maior da América e lá você encontra de tudo, principalmente coisas nojentas que eles chamam de comida. Se vir gente andando em carrões turbinados com o som no volume máximo fazendo tremer as vitrines e assustar os passarinhos, a probabilidade de ser árabe é de 97,3%. Eles são fáceis de ser reconhecidos de longe: se vestem como jogadores de futebol brasileiros novos-ricos. 

Mas aqui a mistura racial, pelo menos no quesito interação social, se vê bem mais forte que na Califórnia, por exemplo. Lá os grupos andam separados. Mexicanos. Negros. Brancos. Aqui, numa mesa de bar, o que você vai ver muitas vezes parece aquelas propagandas de banco em que tentam colocar uma pessoa de cada raça: um loiro, um oriental, um miscigenado e um negro bonito.

Ah, sim, falei nessa mistura toda, mas não dei a ideia geral do que é a cidade. Mais da metade das pessoas é de origem asiática. Como a imigração é forte por aqui há anos, também se vê alguma resistência, como uma pichação que vi num muro outro dia: "Too many foreigners!".

Ah, as fotos ilustrativas do post são de canadenses originais, que moravam aqui antes dos imigrantes europeus.